me dedilhaste o corpo e me fizeste
arrepiar,
despertando desejos de antigos
devaneios,
sonhos que sonho só
na solidão de todas as
madrugadas...
Ah! tu, que depositaste tuas mãos
em mim
e em longos passeios atrevidos me
tocaste inteira,
que me cobriste de beijos, de
carícias,
que me apertaste nos teus abraços,
que gemeste de prazer nos meus
ouvidos...
Ah! tu, que marcaste os meus braços
com teus dentes,
ao expor minha nua anatomia
inteira,
explorando meus segredos, me
afagando a pele,
com tua expedição abrindo todos os
meus caminhos,
entre meus montes e vales, mares e
desertos...
Ah! tu, que em meus delírios me
fitaste com olhos ofuscantes,
que me giraste sobre o teu corpo e
me aninhaste,
me fazendo plena de prazer, quando
me deixei estar assim
entre os teus braços, sentindo
palpitar o teu coração,
remexendo a lava adormecida dos
meus desejos...
Ah! tu, que fizeste explodir em mim
a mulher que sou,
a amante ardente que em gestos
delicados
te sugou a pele, a boca, te lavou
os poros,
com minha língua quente, sedenta de
ti,
oferecendo-te prazer ao explorar
todos os teus recantos....
Ah! tu, que me procuraste a boca,
mordeste os meus lábios,
brincaste tua língua na minha em
tresloucados beijos,
me deixaste acariciar tua nuca e
nos teus arrepios
os meus se misturarem, encostar meu
peito ao teu,
sentindo nossos corações acertarem
seus compassos...
Ah! tu, que entrelaçaste tua mão
suada à minha,
que me fizeste queimar no teu fogo,
que deixaste teu cheiro em minha
pele,
que pesaste sobre mim como uma
cicatriz de prazer,
que me desbravaste por dentro,
senhor de todo o meu ser...
Ah! tu, que me apareceste na vaga
impossibilidade do mundo,
que me sacudiste o corpo,
serpenteando sobre ele,
que me balançaste a alma, que me
fizeste gritar e gemer de gozo,
que me afagaste ternamente ao final
do nosso ato de amor,
que me despertaste plena de mim
sempre em ti.
© Gracinda Ferreira