As
fotos das castanhas portuguesas, que andam por todo lado, me remeteram à
infância, quando, mais ou menos por esta época, minha avó as comprava e assava.
Sentada numa cadeira, no quintal, e com uma bacia no colo, ela as descascava
para nós, que nos refestelávamos em comer e nos deliciar com o sabor daquela
iguaria marronzinha. Sempre fomos pobres - minha avó era lavadeira, meu avô,
marceneiro, meu pai, um simples funcionário dos Correios e Telégrafos, minha
mãe, dona de casa - porém, embora houvesse muita dificuldade, a ponto de
ganharmos um par de sapatos uma vez por ano e da saia do uniforme ser virada do
avesso para o próximo ano letivo, nunca deixamos de comer bacalhau e castanhas
portuguesas – também – no Natal.
©
Gracinda Ferreira

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