sábado, 19 de novembro de 2022

CHOVE



Chove muito na tristeza de um dia quente
que se move lento, imerso em raios e trovões
de um céu enfurecido...
 
Entre a chuva e o chão, o tempo passeia
à margem de mim, alheio à dor
dos meus olhos molhados, vazios de ti.
 
Na importância do tempo, busquei-te na vida
e, nos labirintos dos amanhãs, andei perdida
por dias e noites, chuva e sol, flores e espinhos.
 
Persegui a toda pressa
o que sempre me minguava
e, a cada passo, mais longe se apresentava
tua figura difusa em névoa de desesperança...
 
Tudo dói num estalo de saudade,
quando o tempo abre o frasco das lembranças
empoeiradas nos vãos da memória.
 
E és tu que vejo a me sorrir ao longe,
distanciado no espaço do mundo,
mas tão perto de mim como esta chuva densa,
que te sinto pulsar por entre os pingos
molhando o chão...
 
© Gracinda Ferreira

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