Hoje,
eu me peguei pensando sobre a primeira vez que externamos pensamentos mais
íntimos de nós dois. Era tarde aqui, muito mais tarde aí e, nessa tardança
toda, ficamos até bem tarde aqui e amanhecendo aí, na companhia um do outro.
Não tinha como recusar teu pedido nem deixar de pensar em tantas coisas outras,
além de todas as outras coisas pelas quais nos deixamos ir. Na penumbra do
quarto, eu imaginava os teus olhos a faiscarem, tuas mãos a te tocarem, tua
boca a se entreabrir para receber um beijo meu. Era um misto de fantasia,
loucura, medo, receio, timidez, lago de sensações luxuriantes, mão que buscava
no fundo da terra a raiz dessa vontade. Orvalhamos cedo e nos tornamos aurora
até à fadiga dos sentidos nos rendermos.
© Gracinda Ferreira
© Gracinda Ferreira

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