Naquela
manhã, o professor do laboratório chamou todas as alunas e incisivamente falou:
-
Hoje, o Mr. Jones virá aqui para dar um treinamento sobre essa nova máquina que
foi adquirida pela universidade. Quero todo mundo interagindo, porque não vou
falar por ninguém.
-
Mas, eu não sei falar inglês, disse Renata, já totalmente apavorada com o fato
de ouvir e não entender nada.
-
Isso não é problema meu, retrucou o professor. Você já teve tempo suficiente
para aprender essa língua. Ainda não se mexeu porque não quis.
-
E agora, o que a gente faz? perguntou Teresa tão apavorada quanto sua colega,
pois padecia do mesmo mal, o de não falar inglês.
-
Pra você, dou a mesma resposta. Cansei de mandar vocês correrem atrás do
prejuízo. Agora, se virem!
E saiu da sala extremamente mal-humorado.
Todas
as alunas, então, entreolharam-se com um ponto de interrogação na testa. E
agora? No momento, não havia muito o que fazer, pois a chegada de Mr. Jones era
eminente e milagres não acontecem assim, de repente. A solução mais plausível
para aquela situação era pedir a Beatriz, a única que falava inglês, fazer as
perguntas e interagir por elas.
No
entanto, havia um obstáculo para ser transposto. Renata e Beatriz não se davam,
brigaram certa vez por conta de conhecimentos adquiridos, que uma possuía e a
outra não, e, desde então, viraram inimigas e rivais. O professor vivia
elogiando Beatriz, enquanto Renata roía os cotovelos de raiva, sabendo que
jamais chegaria ao patamar de seu desafeto.
Dessa
maneira, a primeira tentativa de solução foi por água abaixo. Não haveria
acordo. O dilema persistiu, ainda por um bom tempo, até que Sulamita saiu-se
com esta:
-
Pessoal, sem stress. A gente finge que está entendendo tudo o que o gringo
fala, balançando a cabeça de forma afirmativa e tudo bem. Ele acaba de falar e
a gente fica logo livre disso tudo.
©
Gracinda Ferreira

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