quinta-feira, 17 de novembro de 2022

TERESA



  Naquela manhã, o professor do laboratório chamou todas as alunas e incisivamente falou:
    - Hoje, o Mr. Jones virá aqui para dar um treinamento sobre essa nova máquina que foi adquirida pela universidade. Quero todo mundo interagindo, porque não vou falar por ninguém.
    - Mas, eu não sei falar inglês, disse Renata, já totalmente apavorada com o fato de ouvir e não entender nada.
   - Isso não é problema meu, retrucou o professor. Você já teve tempo suficiente para aprender essa língua. Ainda não se mexeu porque não quis.
   - E agora, o que a gente faz? perguntou Teresa tão apavorada quanto sua colega, pois padecia do mesmo mal, o de não falar inglês.
  - Pra você, dou a mesma resposta. Cansei de mandar vocês correrem atrás do prejuízo. Agora, se virem!
    E saiu da sala extremamente mal-humorado.
   Todas as alunas, então, entreolharam-se com um ponto de interrogação na testa. E agora? No momento, não havia muito o que fazer, pois a chegada de Mr. Jones era eminente e milagres não acontecem assim, de repente. A solução mais plausível para aquela situação era pedir a Beatriz, a única que falava inglês, fazer as perguntas e interagir por elas.
  No entanto, havia um obstáculo para ser transposto. Renata e Beatriz não se davam, brigaram certa vez por conta de conhecimentos adquiridos, que uma possuía e a outra não, e, desde então, viraram inimigas e rivais. O professor vivia elogiando Beatriz, enquanto Renata roía os cotovelos de raiva, sabendo que jamais chegaria ao patamar de seu desafeto.
  Dessa maneira, a primeira tentativa de solução foi por água abaixo. Não haveria acordo. O dilema persistiu, ainda por um bom tempo, até que Sulamita saiu-se com esta:
  - Pessoal, sem stress. A gente finge que está entendendo tudo o que o gringo fala, balançando a cabeça de forma afirmativa e tudo bem. Ele acaba de falar e a gente fica logo livre disso tudo.
 

© Gracinda Ferreira
 

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