O que mais me dói aflora-me
como um canto matinal
de bem-te-vis.
Tenho pés de sonhos orvalhados,
no quintal abandonados,
sem esperanças de crescer.
O teu sequer germina,
minha lida, minha sina,
sem razão de bem-querer.
Teus olhos castanheiros
como caprichoso jardineiro
vêm regar o meu quintal.
Trazem o brilho que lhe falta,
o alimento enriquecido
de sonhos amanhecidos.
© Gracinda Ferreira

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