Houve um instante em que pensei
que pudéssemos ser eternos como uma
música,
naquele momento da chamada
telefônica
ao ouvir a tua voz do outro lado
me dizendo boa noite !
Quando o relógio avança
e a hora de todas as noites se
aproxima,
meu peito aperta e choro sem mesmo
sentir,
pois já não estás mais à hora nossa
dos encontros noturnos.
Tudo ao redor se transforma em
tristeza
na ausência desses momentos tão
nossos,
quando então fugíamos de tudo
para terminarmos o dia unidos por
nossas vozes na distância.
Nesses tempos de conversas sérias e
gargalhadas soltas,
havia algo fantástico que nos fazia
escapar de tudo
e, estranhamente, acabamos fugindo
desse algo
que tínhamos para nos libertar do
mundo...
para onde ir, agora? ...
© Gracinda Ferreira

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