sábado, 26 de novembro de 2022

DOR



Quando a dor se pega no equívoco anunciado,
não há adiamento nas palavras
e no vácuo grandioso de pequenas frases
cabe um mundo inteiro de inverdades...
 
Fujo o olhar para a parede nua,
despida branca de vestígios teus,
mas as palavras intactas e sorrateiras
permeiam, sem trégua, meus pensamentos desordenados...
 
Sei que ali, sozinha, me deixaste
e para outro lado viraste a escuta...
muda, ouço as palavras inadiáveis
que proferiste sem pejo nem remorso...
 
Imóvel, imersa na escuridão lenta das horas,
a noite me conduz ao sono impreciso dos tristes...
esculpido nas palavras inadiáveis, o sonho vem
contigo a galope por esse mundo cruel de inverdades...
 
© Gracinda Ferreira
 

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