Sou
aquela que veio ao mundo sem sorrisos,
sem
a graça da alegria...
sou
aquela a quem o destino reservou mágoas e tristezas,
que
não encontra no caminho
nem
o amor, nem a mão que sustenta...
Sou
aquela a quem não foi permitido ser
senão
um fantasma
na
invisibilidade da existência
marcada
por risos e prantos nostálgicos...
Sou
aquela que traz no peito
um
coração remendado de profundas feridas,
colecionadas
nas frestas do tempo,
latejando
a dor como se há pouco fossem nascidas...
Sou
a que vagueia pelos caminhos
sem
eira nem beira,
a
quem facilmente se engana
e
em cujas veias circula
o
líquido sutil da sensibilidade...
Sou
a que sente o mundo pela pele
num
amálgama de água e céu,
a
que veio sem possibilidades de vida,
sem
a prova de um beijo verdadeiro
nem
o toque de um afago caprichoso...
Sigo
ao largo dos meus passos
pelas
trilhas que se abrem à minha frente,
sempre
só, nunca à vista,
para
continuar na amargura do meu caminhar
a
percorrer solitária a sina impiedosa do meu viver.
©
Gracinda Ferreira

Nenhum comentário:
Postar um comentário