A tristeza é muita, a solidão não
cabe no vazio do quarto,
a porta muda não range, estanque
como um totem secular,
fita-me como uma punição que se
deve cumprir.
O silêncio grita nos meus ouvidos
e o desespero da incerteza fala
frases impiedosas
ao meu pobre coração em frangalhos.
A distância anunciada nos mistérios
do mar
amplia-se nas ondas erguidas como
mármores esculpidos
e alarga-se no tempo da espera de
uma esperança antiga.
Vives para além do alcance da minha
mão,
transitas por entre muitos que não
sou eu,
olhas nas esquinas onde nunca me
encontras.
Bebes do vinho sem a minha
companhia,
e o vento outonal te embaralha os
cabelos
sem que eu possa arranjá-los para
ti.
Segue a solidão na imensidão do
quarto
a me dizer que nossa distância se
faz de tempo e espaço
entre o olhar perdido no nada e a
lágrima rolada sem pressa.
© Gracinda Ferreira

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