domingo, 12 de fevereiro de 2023

TRISTEZA

 




A tristeza é muita, a solidão não cabe no vazio do quarto,

a porta muda não range, estanque como um totem secular,

fita-me como uma punição que se deve cumprir.

 

O silêncio grita nos meus ouvidos

e o desespero da incerteza fala frases impiedosas

ao meu pobre coração em frangalhos.

 

A distância anunciada nos mistérios do mar

amplia-se nas ondas erguidas como mármores esculpidos

e alarga-se no tempo da espera de uma esperança antiga.

 

Vives para além do alcance da minha mão,

transitas por entre muitos que não sou eu,

olhas nas esquinas onde nunca me encontras.

 

Bebes do vinho sem a minha companhia,

e o vento outonal te embaralha os cabelos

sem que eu possa arranjá-los para ti.

 

Segue a solidão na imensidão do quarto

a me dizer que nossa distância se faz de tempo e espaço

entre o olhar perdido no nada e a lágrima rolada sem pressa.

 

© Gracinda Ferreira



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